24/03/2026 16h44 - Atualizado 24/03/2026 16h44

Violência contra a mulher em debate no Direito de Família do IARGS

Por Terezinha
para IARGS
O Grupo de Estudos de Direito de Família do IARGS abriu, hoje, 24/03, sua programação anual. A atividade contou com a participação da presidente da entidade, Sulamita Santos Cabral, e foi conduzida pela diretora do Departamento de Direito de Família, Liane Bestetti, na sede do Instituto. A convidada foi a psicóloga e psicanalista Renata Viola Vives.
Com o tema “Por que matamos as mulheres?”, a palestra abordou a violência de gênero a partir de uma perspectiva psicanalítica e sociocultural. Logo no início da exposição, a especialista citou como exemplos notícias recentes de feminicídio veiculadas pela mídia, utilizando esses casos para contextualizar a discussão. Ao longo da apresentação, que contou com o apoio de recursos de projeção, desenvolveu os conceitos, situando o fenômeno em estruturas históricas de desigualdade e na lógica de dominação ainda presente nas relações entre homens e mulheres.
Na oportunidade, foram analisados aspectos ligados à construção da imagem da mulher ao longo do tempo, incluindo influências culturais e religiosas, bem como a inserção tardia das mulheres nos espaços de cidadania e no meio acadêmico. Também foram abordados conceitos como misoginia e intolerância ao feminino, compreendidos como manifestações que podem envolver violência física, psicológica e mecanismos de coerção.
A psicóloga destacou que, embora o ordenamento jurídico preveja instrumentos de proteção, o agressor, muitas vezes, tem conhecimento dessas normas e, ainda assim, as transgride, evidenciando limites da lei quando não acompanhada de mudanças na esfera subjetiva e cultural. Nesse contexto, também mencionou a persistência de “uma cultura de silêncio e tolerância social, que contribui para a manutenção da violência”.
A preleção tratou ainda da circulação de discursos misóginos em ambientes digitais, com a atuação de grupos que reforçam a culpabilização das mulheres e difundem visões extremadas sobre masculinidade, com possíveis reflexos em práticas violentas.
Outro ponto abordado foi a compreensão da violência como mecanismo de controle social, associado à manutenção de relações desiguais de poder. A análise incluiu ainda a dimensão psíquica do trauma e a construção da condição de vítima, especialmente no caso das mulheres, frequentemente vinculada a fatores estruturais.
Terezinha Tarcitano
Assessora de imprensa

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